Juiz Arlen Souza fala sobre o crime organizado na Amazônia e as lições da operação no Rio
Magistrado do TJRO analisa as rotas do crime na Amazônia, compara contextos com o Rio de Janeiro e defende presença contínua do Estado para além de ações pontuais
REDAÇÃO – O Plenário recebe o juiz de direito do Tribunal de Justiça de Rondônia, Arlen José Silva de Souza, para uma conversa direta sobre como as organizações criminosas disputam território na Amazônia e o que grandes operações em centros urbanos, como a recente no Rio de Janeiro, revelam, e não revelam, sobre o alcance do Estado.
Ao longo do episódio, o magistrado explica por que a geografia amazônica, com rios extensos, fronteiras vulneráveis e infraestrutura limitada, favorece rotas do narcotráfico e de outros ilícitos conectados (garimpo ilegal, madeira, lavagem de dinheiro). Ele relaciona o tema à vida cotidiana de comunidades ribeirinhas e cidades do interior, onde a ausência de serviços públicos abre espaço para “economias paralelas” controladas por facções.
O convidado usa a operação no Rio como ponto de partida para discutir o que diferencia ações de impacto de políticas sustentadas de segurança pública. Entre os critérios, destaca a necessidade de inteligência continuada, cooperação entre órgãos, proteção de vidas e desarticulação financeira das organizações, para além de prisões e apreensões.
Professor de Direito Penal na Universidade Federal de Rondônia, Arlen Souza também traduz conceitos jurídicos para o público geral: o que caracteriza uma organização criminosa (e o que é apenas concurso de agentes), quando a prisão preventiva se justifica e quais provas estruturais costumam pesar nas decisões colegiadas. O episódio ainda aborda a presença de facções nacionais na região Norte e o efeito “exógeno” de grupos que pressionam estruturas locais.
O juiz reforça que combater o crime organizado exige presença estatal contínua, segurança, educação, saúde, assistência e oportunidades, para reduzir a capacidade de recrutamento das facções e recuperar territórios para a sociedade.