Estudo aponta que lares chefiados por negras no Norte e Nordeste são os mais atingidos pela fome
O estudo “As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil” detalha a vulnerabilidade nutricional de famílias chefiadas por mulheres negras. Os dados indicam que este grupo enfrenta os maiores índices de carência alimentar, com prevalência de 38,5%. Em comparação, os lares sob comando de homens brancos registram o menor percentual de insegurança, fixado em 15,7%.
As regiões Norte e Nordeste apresentam os indicadores mais críticos, onde quase metade das residências lideradas por mulheres negras convive com a restrição de alimentos. As autoras Veruska Prado e Rute Costa afirmam que ser mulher e negra no Brasil implica em maior exposição a injustiças sociais. A pesquisa ressalta que a fome atinge o mesmo nível em lares de mulheres negras com emprego formal e em domicílios de homens brancos informais.
A localização geográfica e o tipo de inserção no mercado de trabalho determinam a estabilidade nutricional das famílias brasileiras. A insegurança alimentar manifesta-se com maior intensidade na zona rural em relação aos centros urbanos. O relatório promovido pela organização Fian Brasil defende que o fortalecimento de políticas públicas e de programas de transferência de renda auxilia na redução destes índices negativos.
A professora Rute Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, associa a segurança alimentar ao investimento em estruturas sociais de proteção. O levantamento abrange o período anterior à nova saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, ocorrida em 2025. Os indicadores mostram que a insegurança alimentar grave no país recuou de 15,5%, em 2022, para 4,1% no ano seguinte.