Papa Leão 14 lança encíclica sobre ética na Inteligência Artificial

Redação Plenário

Leão XIV e o Arcebispo Paolo Rudelli, substituto da Secretaria de Estado. (Foto: @Vatican Media)

O documento Magnifica humanitas pede a proibição de armas autônomas e faz uma autocrítica histórica sobre a escravidão

O Papa Leão 14 apresentou o documento oficial Magnifica humanitas com o objetivo de propor diretrizes éticas para o desenvolvimento da Inteligência Artificial. O texto estabelece uma linha de comparação com a encíclica Rerum Novarum, editada pelo Papa Leão 13 no século 19 para tratar das transformações trabalhistas na Revolução Industrial. A nova carta pontifícia condena o emprego de algoritmos em armamentos de guerra e em sistemas que restrinjam o acesso a serviços públicos essenciais.

A elaboração das diretrizes consumiu dez anos de consultas da Santa Sé com a comunidade científica, engenheiros de software, lideranças políticas e representantes de minorias sociais. O pontífice defende o controle social da tecnologia para evitar o aprofundamento das desigualdades econômicas globais entre nações ricas e em desenvolvimento. Conforme o texto magisterial, “assim como a energia nuclear, a IA deve ser guiada pela consciência e responsabilidade, servindo à paz, à justiça e a toda a humanidade, e não apenas a uma minoria privilegiada”.

O manifesto papal também traz um posicionamento de autocrítica institucional a respeito do papel da Igreja Católica em séculos passados. O líder religioso utilizou o espaço do pronunciamento doutrinário para classificar a demora na condenação eclesiástica do regime de escravidão como uma mancha na história da instituição. O pronunciamento ocorre em um ambiente de atritos diplomáticos com o governo dos Estados Unidos, chefiado pelo presidente Donald Trump, que critica a postura pacifista do Vaticano em conflitos internacionais.

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