PF aponta uso de contas de terceiros em venda de material de abuso infantil

Redação Plenário

Criminosos usam o TikTok para divulgar material de abuso sexual infantil negociado no Telegram. (Foto: Agência Brasil)

Investigação mostra pagamentos por Pix e divulgação das ofertas no TikTok

Uma investigação do g1 mostrou que criminosos usam o TikTok para divulgar a venda de material de abuso sexual infantil e conduzem as negociações pelo Telegram.

A reportagem encontrou ofertas a partir de R$ 10, com pagamentos por Pix e criptomoedas. Em um dos casos, um vendedor afirmou receber o dinheiro em uma conta que não estava em seu nome.

“Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk”, disse o vendedor em conversa registrada.

A Polícia Federal afirmou à reportagem que a alegação é falsa. As transferências deixam dados da conta de quem paga e de quem recebe, que podem ser usados em investigações.

Os crimes virtuais contra menores acontecem no Telegram e Tiktok. (Foto: Divulgação – G1)

Pix na venda de material de abuso sexual infantil deixa registros

Segundo investigadores ouvidos pelo g1, autores desses crimes podem usar contas de ex-companheiras, de familiares ou das próprias crianças e adolescentes vitimados. No caso documentado, a chave Pix fornecida era um e-mail com domínio de estudante do Rio Grande do Sul.

A reportagem não localizou a pessoa associada ao endereço. Procurada, a Secretaria de Educação do estado informou que “está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso”.

O Telegram disse que proíbe a distribuição do material e afirmou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao crime em 2026. O TikTok declarou: “Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas.”

A plataforma também afirmou que comunica os casos identificados ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas.

Denúncias de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100. Em situações de risco imediato, a polícia atende pelo 190.

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