Investigação apura fraude de R$ 157 milhões em contrato de internet da prefeitura paulistana e suposto desvio para produção cinematográfica
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Conhecer Brasil e em secretarias municipais da capital paulista. A apuração aponta indícios de direcionamento em chamamento público e superfaturamento no fornecimento de internet comunitária. O valor global do convênio saltou de R$ 108 milhões para R$ 157,1 milhões após a assinatura de termos aditivos com a municipalidade.
O relatório policial indica que a entidade parceira carece de experiência prévia no setor de tecnologia, com histórico restrito a eventos literários e religiosos. Cada ponto de acesso custou R$ 1.800 aos cofres públicos, montante muito superior à média de mercado de empresas concorrentes. Há suspeitas do emprego irregular de ao menos R$ 16,5 milhões por meio de comprovantes fiscais sem validade legal.
O Ministério Público e a delegacia responsável pelo caso investigam a transferência de depósitos municipais para o caixa da produtora Go Up, responsável pela obra audiovisual “Dark Horse”. A corporação compartilha o endereço comercial com a organização do segmento social na capital paulista. A defesa da gestora do instituto declarou que as pendências documentais passam por processo de regularização junto à administração municipal.
O prefeito Ricardo Nunes manifestou apoio às apurações institucionais e assegurou o envio de documentos funcionais aos órgãos fiscalizadores. O senador Flávio Bolsonaro negou o vínculo entre as ações policiais de busca e a captação de recursos financeiros para o projeto cinematográfico familiar. Os parlamentares de oposição na Câmara Municipal sustentam a tese de desvio de finalidade na aplicação de dotações orçamentárias.