Levantamento aponta redução na extensão de rios e lagos naturais em várias regiões
O território brasileiro registrou diminuição constante nos recursos hídricos superficiais ao longo das últimas quatro décadas. O mapeamento feito por imagens de satélite aponta que o país perdeu uma extensão hídrica expressiva em ecossistemas naturais desde meados da década de oitenta. O monitoramento mensal indica que as alterações climáticas e as modificações no uso do solo desestabilizaram o regime de cheias.
Os dados detalham que o Pantanal enfrenta a situação de maior gravidade entre os ecossistemas monitorados no território nacional. Os municípios localizados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram os índices mais elevados de redução absoluta de fluxos fluviais. Os pesquisadores associam o quadro atual aos reflexos de estiagens severas e incêndios que atingiram as pastagens nativas.
A evolução dos reservatórios artificiais seguiu uma trajetória inversa com aumento de ocupação em áreas de hidrelétricas e represas. Biomas como a Caatinga e o Cerrado concentram atualmente a maior parte de seus recursos hídricos em estruturas construídas pela ação humana. A dependência de reservatórios construídos contrasta com a perda de rios perenes que abastecem as comunidades locais.
A bacia hidrográfica da Amazônia apresentou indícios de elevação nos índices hídricos após ciclos sucessivos de estiagem severa. O resultado regional contribuiu para a estabilização temporária dos indicadores nacionais de captação de imagens no último ano. “Mesmo com sinais pontuais de recuperação, a situação ainda é preocupante no longo prazo”, afirma o coordenador técnico Juliano Schirmbeck.