Cientistas mapeiam rede com mil estradas antigas de indígenas no Acre

Redação Plenário

O mapeamento aponta uma rede de caminhos com cerca de 350 quilômetros de extensão conectados a monumentos geométricos conhecidos como geóglifos. (Foto: Ufac - Divulgação)

Estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e finlandeses revela caminhos pré-colombianos que conectam monumentos

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e de instituições finlandesas mapearam uma rede de caminhos pré-colombianos na Amazônia. O trabalho utilizou imagens de satélite e vistorias terrestres em uma área de 135 mil quilômetros quadrados para detalhar as vias construídas por antigas civilizações. Os dados coletados apontam que os trajetos retos predominam na região e apresentam alinhamento com pontos cardeais em decorrência de conhecimentos astronômicos dos povos nativos.

As vias mapeadas possuem extensões variadas e chegam a alcançar mais de cinco quilômetros de comprimento em determinados trechos. O levantamento indica que 40% das rotas terminavam nas margens de rios da bacia amazônica e outros 10% faziam a ligação direta com os geóglifos. Os pesquisadores associam parte das estruturas à tradição Aquiry, que ocupou o território até o ano 1000 d.C., além de fases posteriores marcadas por pequenas elevações artificiais que concentravam as habitações das aldeias.

Os cientistas também identificaram formatos em leque nas estradas que alcançam os grandes desenhos geométricos no solo, interpretados como antigos terreiros destinados a cerimônias e festividades. O desmatamento recente na região permitiu a visualização inicial de grande parte dessas marcas na terra, antes cobertas pela vegetação densa. A continuidade das investigações arqueológicas prevê a aplicação de tecnologia de varredura a laser para identificar novos ramais integrados ao sistema viário do passado.

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