STF autoriza operação contra Jaques Wagner por fraudes no Banco Master

Redação Plenário

Mensagens e transações imobiliárias baseiam a Operação Compliance Zero no STF, que envolve senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do presidente Lula no Congresso. (Foto: Ricardo Stuckert/PR - 1.7.2025)

PF descobre mensagens, apreende dólares e investiga propina de R$ 3,5 milhões e imóvel de luxo para o senador

O ministro André Mendonça autorizou a nova etapa das investigações baseando-se em relatórios da Polícia Federal que apontam o recebimento de vantagens indevidas pelo líder do governo no Senado.

Durante as buscas em Brasília, os agentes apreenderam 49 mil dólares em espécie em um endereço ligado ao parlamentar baiano, além de realizarem vistorias em Salvador. Os investigadores sustentam que os repasses financeiros de 3,5 milhões de reais ocorreram por meio da empresa PKL One Participações para a BN Financeira, firma descrita como uma microempresa de baixa capacidade operacional gerida pelo enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, e pela nora, Bonnie Toaldo Bonilha.

A análise do celular de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e dono do Banco Pleno, revelou mensagens de texto onde o enteado do senador cobrava fundos alegando o vencimento de boletos de alto valor. Os diálogos indicam que as transferências financeiras guardavam relação direta com o andamento de projetos políticos, como as dificuldades na negociação de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.

O inquérito policial elenca como contrapartidas o recebimento de um apartamento avaliado em 2,4 milhões de reais no edifício Poeme Residence, no bairro Horto Florestal, o uso de aeronaves privadas e o custeio de ingressos de shows internacionais no valor de 63 mil reais pela gestora de fundos Reag Investimentos.

O interesse do grupo financeiro envolvia a articulação para a elevação da margem de crédito consignado para trabalhadores e aposentados, a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição 65 de 2023 e a alteração nas regras de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

A Polícia Federal identificou que a chamada “Emenda Master”, apresentada formalmente pelo senador Ciro Nogueira, teve o texto técnico elaborado pela própria assessoria do banco e foi entregue em um envelope na residência do parlamentar do PP. “A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, aponta o despacho do Supremo.

A defesa de Augusto Lima afirmou por meio de nota oficial que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.

A manifestação do empresário acrescenta que as condutas investigadas cumprem rigorosamente a legalidade e as regras do sistema financeiro nacional. A assessoria de imprensa do senador Jaques Wagner recebeu os pedidos de posicionamento sobre os fatos relatados, mas não emitiu respostas oficiais até a publicação desta reportagem.

plugins premium WordPress