Estudo aponta que exercitar-se conforme o cronotipo individual melhora a pressão arterial e a qualidade do sono
Um ensaio clínico randomizado com 150 adultos sedentários indicou que o alinhamento entre o horário do treino e o cronotipo individual maximiza benefícios à saúde. O estudo dividiu participantes entre os que seguiam sua tendência natural de atividade e os que se exercitavam no período oposto. Após doze semanas, o grupo que respeitou o próprio relógio biológico apresentou reduções mais expressivas na pressão arterial e nos níveis de glicose em jejum.
A pesquisa detalha que a pressão arterial caiu, em média, 10,8 mmHg no grupo com horários compatíveis, contra 5,5 mmHg no grupo desalinhado. Entre hipertensos, a melhora na estabilização dos processos circadianos e ritmos hormonais foi ainda mais acentuada com a prática personalizada. O autor Arsalan Tariq afirmou ao portal g1 que “exercícios alinhados ao cronotipo podem estabilizar melhor processos circadianos, como a atividade simpática e os ritmos hormonais”.
A identificação do perfil matutino ou vespertino baseia-se nos momentos de maior alerta e produtividade natural do indivíduo ao longo do dia. O levantamento também associou o respeito ao ritmo biológico a uma maior regularidade na prática de atividades físicas. Conforme destacou Tariq sobre as recomendações médicas atuais, “o exercício continua sendo a prioridade, mas os médicos agora podem dizer: ‘Se possível, exercite-se em um horário que corresponda ao seu ritmo energético natural’”.
Os especialistas ressaltam que os ganhos cardiovasculares ocorreram em todos os voluntários, independentemente do período escolhido para o esforço físico. Contudo, o ajuste fino entre o treino e o metabolismo vascular oferece uma estratégia de baixo custo para a prevenção de doenças. Novos estudos com populações diversas e trabalhadores em turnos alternados devem validar a aplicação dessa abordagem personalizada em larga escala no sistema de saúde pública.