Estudo internacional aponta redução de até 24% na mortalidade com tomografia de baixa dose entre pessoas com risco de desenvolver a doença
O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão XIV, de 71 anos, trouxe atenção aos métodos de identificação da doença, que também atinge pessoas que nunca fumaram.
O pontífice passou por cirurgia em 13 de outubro para retirar parte do pulmão direito após a confirmação de adenocarcinoma, tipo que representa cerca de 40% dos casos. Em 21 de outubro, o Vaticano informou que o tumor estava localizado e que os médicos não consideravam necessário realizar tratamento complementar. Vatican News+1
O tabagismo permanece como principal fator de risco, mas a exposição à fumaça de outras pessoas, à poluição do ar, ao gás radônio e a substâncias cancerígenas no ambiente de trabalho também pode favorecer o desenvolvimento da doença. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, sangue ao tossir e perda de peso sem explicação estão entre os sintomas. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de pulmão provocou aproximadamente 1,9 milhão de mortes no mundo em 2024.
Câncer de pulmão pode ter mortalidade reduzida com exame
Uma avaliação da IARC, publicada em setembro de 2026 na revista científica The New England Journal of Medicine, identificou que o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose reduz a mortalidade entre pessoas com risco de desenvolver câncer de pulmão. No estudo norte-americano National Lung Screening Trial, a redução relativa foi de 16% em comparação com a radiografia de tórax. Já a pesquisa europeia NELSON registrou queda de 24% entre homens de risco após dez anos de acompanhamento, em comparação com aqueles que não passaram pelo rastreamento.
A análise reuniu especialistas de 17 países e apontou benefícios principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo equivalente ao consumo de um maço de cigarros por dia durante 20 anos ou mais.
O médico Arn Migowski Rocha dos Santos, pesquisador e professor do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e integrante do grupo de trabalho da IARC, destaca que a seleção dos pacientes deve considerar os riscos dos exames, como resultados falso-positivos e procedimentos desnecessários. A inteligência artificial também pode auxiliar na identificação de nódulos pulmonares, mas ainda exige supervisão médica e avaliação de seus benefícios.


