Escritório de Flávio Bolsonaro faturou R$ 13,7 milhões no Senado

Redação Plenário

O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) emitiu pelo menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. (Foto: Renato Pizzutto/Band)

Levantamento do UOL identificou 62 notas fiscais emitidas entre 2023 e 2026; movimentações do escritório serão analisadas pela Polícia Federal

O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu pelo menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que o parlamentar exercia mandato no Senado Federal.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (20) em reportagem dos jornalistas Artur Rodrigues e Fabio Serapião, do UOL, após análise de 62 documentos fiscais. Aproximadamente metade do faturamento registrado corresponde a pagamentos de outros advogados. Na maioria dos comprovantes, os serviços aparecem identificados apenas como “assessoria jurídica”, sem informações sobre processos ou atividades específicas.

A empresa foi aberta em abril de 2021 e tem Flávio Bolsonaro como único titular. A administradora é Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso em dezembro de 2025 sob suspeita de envolvimento em fraudes contra o INSS. Segundo o levantamento, o escritório funciona no endereço residencial do senador, em Brasília, e não possui outros funcionários.

Entre os principais clientes está o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, ligado ao advogado Edvaldo Nilo de Almeida, que pagou R$ 4 milhões em duas notas fiscais emitidas em 2025. Ao UOL, Nilo afirmou que os serviços foram prestados a clientes privados, sem utilização de recursos públicos.

Escritório de Flávio Bolsonaro será analisado pela Polícia Federal

A Polícia Federal pretende examinar as transações do escritório em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A investigação teve origem em suspeitas sobre possíveis vínculos financeiros entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, incluindo informações sobre contas bancárias.

Outro cliente identificado pelo UOL foi a Simas Industrial de Alimentos, que pagou R$ 3,3 milhões à empresa do senador entre 2023 e 2024. Nesse caso, a reportagem encontrou um processo judicial em que Flávio atuou como advogado da companhia, em uma disputa empresarial que também contou com a participação de Willer Tomaz.

Os documentos analisados também registram R$ 2,1 milhões em pagamentos de escritórios ligados ao advogado Otto Medeiros, R$ 970 mil de uma banca relacionada à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e valores recebidos de outros clientes privados.

A legislação permite que parlamentares exerçam atividades profissionais paralelas ao mandato, desde que respeitem as restrições aplicáveis à advocacia e à função pública. A emissão de notas fiscais não comprova, por si só, a existência de irregularidades. Procurada pelo UOL, a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação da reportagem. O senador e Willer Tomaz negam ter compartilhado contas bancárias.

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