PF acha dinheiro em adega durante operação que prendeu deputado

Redação Plenário

A Polícia Federal encontrou pilhas de dinheiro dentro de uma adega na casa de um policial civil preso durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução)

Agentes encontraram notas escondidas na residência de um policial civil; investigação sobre lavagem de dinheiro também levou à prisão de Márcio Canella

A Polícia Federal (PF) encontrou pilhas de dinheiro escondidas dentro de uma adega na residência do inspetor da Polícia Civil José Carlos Alves de Souza Júnior, preso nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro.

A ação também resultou na prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios do estado.

Além de Canella, Amim e José Carlos, foram presos os inspetores Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. As investigações apontam suspeitas de participação de agentes públicos na estrutura financeira do grupo.

Operação Unha e Carne investiga esquema de R$ 7,6 bilhões. (Foto: Reprodução – TV Globo)

As prisões foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 700 milhões e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas, entre elas 96 postos de combustíveis.

De acordo com a PF, a rede teria sido utilizada para movimentar recursos de origem suspeita e ocultar a participação dos envolvidos. Entre os crimes investigados estão organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional e formação de cartel.

Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de outubro, com 197.178 votos. O político já havia sido preso em julho, durante outra fase da operação, após policiais encontrarem um fuzil em seu veículo, mas foi colocado em liberdade por decisão judicial.

A investigação também apura possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas que atuam na Baixada Fluminense. A assessoria do deputado eleito informou que não havia tido acesso aos autos no momento dos primeiros contatos da imprensa. As demais defesas não haviam apresentado manifestação nas reportagens consultadas.

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